Praia do Zavial

Olá, pessoal! Aqui estou eu, o vosso Flamingo Rambóia, pronto para vos trazer mais uma aventura praiana por terras lusitanas. Hoje vou-vos falar sobre a praia do Zavial, um cantinho ventoso no magnífico Barlavento Algarvio. Peguem nas vossas bóias e preparem-se para uma inesquecível experiência de vento e surf!

A saga começou assim que cheguei, entusiasmado para estacionar e enfiar as patas na areia. Mas, como já devem imaginar, não é fácil encontrar um lugar de estacionamento. Apesar do parque estar bem organizado, é de dimensões reduzidas e em pleno verão pode ser complicado. Parecia que todo o Algarve tinha decidido passar o dia ali e o espaço disponível era menor que a minha paciência num dia de maré baixa. Uns minutos de espera e lá saiu um incauto que se deve ter esquecido da bóia em casa.

À entrada da praia gosto de um café forte para evitar passar o dia enfiado com a cabeça na areia e o Café Restaurante Zavial cumpriu bem essa função. É um espaço agradável e a boa classificação no Google não mente. Uma esplanada resguardada do vento, com uma zona com sofás ao fundo para tomar café ou relaxar ao fim do dia. Costuma estar cheio o que também é um bom indicador da qualidade servida à mesa e embora o ambiente possa parecer um pouco elitista, os preços razoáveis da lista desmentem essa ideia.

Patas na areia! O vento é já imagem de marca da praia do Zavial. Desde que me lembro de cá vir, é raro o dia em que 80% da praia não parece estar dentro de um túnel de vento. Daqueles usados para testar a aerodinâmica dos automóveis que voam baixinho, como eu! Os restantes 20% da praia ficam destinados aos resistentes que conseguiram atravessar o deserto de areia alisada pelo vento. Esses teimosos como eu são recompensados com o resguardo de uma encosta que permite usufruir da paisagem, do sol e dos bons banhos! A praia tem uma zona concessionada com chapéus de palha mas levei o meu fiel sombreiro que resiste a qualquer rajada.

Mal me acomodei fui logo abordado pelo nadador-salvador que, compreensivelmente, me vinha alertar para o absurdo de uma bóia flamingo gigante vir para a praia num dia de vento. Como se visse em mim um absurdo desejo de me perder no mar que não batia certo com a minha cor berrante. Não me deixei intimidar, afinal de contas, sou um flamingo destemido. Lancei-me corajosamente mar adentro agarrado a um humano gordo com o pacto de ele não me largar e eu não o deixar afundar.

Apesar das poucas ondas a que Zavial tinha para oferecer, a praia estava repleta de surfistas, tanto portugueses como estrangeiros. Fiquei a pensar: “Será que todos estes malucos gostam de apanhar uma banhoca de vento? Nunca ouviram falar da Nazaré ou da Caparica”. Decidi aproveitar a oportunidade para testar as minhas habilidades. Ninguém esperava encontrar um Flamingo a surfar, nem eu próprio achei que poderia ser bem sucedido mas a verdade é que poucas foram as vezes em que me diverti tanto numa praia! Com muita graça e pouco estilo, deslizei pelas águas, deixando-os a todos boquiabertos. Eles não sabiam se deviam rir, aplaudir ou chamar a polícia. Foi um sucesso estrondoso! Nasceu um novo desporto: Surframbóia. 

Despedi-me da praia do Zavial com um aceno de asas melancólico e uma promessa de regresso. Apesar do vento incansável e das ondas tímidas, esta praia conseguiu conquistar-me com a sua atmosfera surpreendente, o areal grande e a água transparente e luminosa. A paisagem natural que envolve a praia é imponente. Os penhascos íngremes e as falésias rochosas criam um cenário majestoso. O contraste entre o verde da vegetação e o azul do mar é deslumbrante, uma obra-prima da natureza.

Ah, e não se esqueçam de experimentar o desafio de surfar nas ondas algarvias com a vossa bóia de flamingo. Quem sabe, talvez nos encontremos numa prova com direito a prémios de estilo e ousadia!

Até à próxima e lembrem-se, a vida é uma praia, por isso agarrem as vossas bóias e divirtam-se como nunca!

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